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Archive for setembro \27\UTC 2010

Homenagem à Ton Geuer

O Ton de Campinas

Correio Popular – 23/09/2010


Quando estive na casa de Ton Geuer pela primeira vez, no início dos anos 70 para encomendar um trabalho, achei que ia conhecer um artesão, conheci um grande artista. Eu tinha dezoito anos e Ton Geuer me apresentou a alma do vidro que, capturando e refletindo as cores, conforme a luminosidade do ambiente, as destacava, reduzia ou transformava.

Eram indiscritivelmente lindos os vidros, quase todos importados, bastante caros e, portanto, só encontrados com enorme trabalho e paciência. Os pretos e escuros eram os mais raros e percebi que Ton os utilizava em suas obras com uma delicadeza parcimoniosa que eu aprendi. Minha mãe fez vários cursos com ele e praticava a sua sensibilidade confeccionando lustres, lanternas, vitrais e mosaicos em quadros que às vezes eu desenhava os motivos. Caixas de mosaico, assim como quadros, arandelas e lanternas surgiam em profusão em minha casa materna e eram uma verdadeira paixão de cores, formas e brilhos distintos. E haviam também bijuterias, laços com apliques de vidro, pulseiras de vidros soldados, guirlandas de vidro e enfeites de Natal. Minha mãe foi sua fiel aprendiz. Uma vez, minha mãe chegou dos Estados Unidos com uma mala pesadíssima que não dava para carregar. Ela dizia: “Cuidado, foi difícil de encontrar, de pagar e de passar na alfândega essa mercadoria”. Adivinhem o que havia dentro dela? Uma enorme quantia de vidros coloridos!

O trabalho de Ton Geuer está em toda parte, tendo democrática e mais importante visibilidade nas Igrejas, duas entre as quais frequento. Janelas multicoloridas e vívidas de luz enfeitaram casamentos vespertinos e batismos, entre outras cerimônias tristes e contentes da nossa família. E na antiga casa da minha mãe em Campinas existem nichos e portas de sua autoria; no chalé de minha falecida sogra, em Monte Verde, uma porta Folk por ele assinada que nos recorda dos anos dourados.

Naquela época de aprendiz de vitrais, a casa da mamãe era repleta de pingentes, de pedacinhos de vidro que sobravam dos mosaicos, que sobravam das lanternas, que restavam dos lustres que provinham das sobras de vitrais de portas e janelas.

E, ontem, trinta e poucos anos depois, eu arrumava no meu consultório esses vidros mágicos, suas cores e diversas formas de criar coisas coloridas que uso para descansar da clínica e enfeitar a minha vida, quando notei um pingente com cordão estilo hippie e deu vontade de enfeitá-lo. Ele era simples, verde, quase mero caco de vidro, achei-o despido e, inesperadamente, pintei-o de vermelho nos seus quatro arredondados cantos, e desenhei uma cruz de malta branca bem no centro. Não sei porque eu pintei aquele pingente, não mexia com esse material há muito tempo. Não sei por que o desejo de abstrair um pouco, saindo da correria do meu trabalho de médica, se buscava um pouco do feminino em mim, ou precisava de um instrumento de meditação.

Trouxe o pingente para minha casa e à noite coloquei-o para secar na mesa da cozinha, esticado, bem no centro… E, hoje, quando acordei, na mesa do café da manhã encontrei o pingente em cima do jornal que anunciava na primeira página a morte de Ton Geuer: o mestre dos vitrais.

Quem sou eu para falar a respeito da vida e da obra de Ton? Mas estou aqui para dizer: Obrigada, Ton e família, por terem feito parte da vida da minha família, oferecendo-nos, através das suas obras e ensinamentos diários de alegria e beleza e, reforçando em nós, valores como união familiar e compromisso com o trabalho.

Marisa Corrêa Christensen é médica sanitarista e homeopata

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Holandês radicado na cidade desde 1960 teve infecção generalizada.

20/09/2010 – 13:20

Da redação

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O vitralista Ton Geuer morreu, aos 89 anos, às 9h35 da manhã desta segunda-feira, em Campinas. O artista holandês radicado na cidade desde 1960 teve infecção generalizada e estava internado no Centro Médico, no distrito de Barão Geraldo, onde morava.

Ao longo de sua história, Antonius Lambertus Maria Geuer tornou-se um dos vitralistas mais conhecidos e respeitados do país, levando os vitrais e murais para além da decoração de igrejas, o uso mais comum quando se instalou em Campinas nos anos de 1960 – Ton chegou à América em 1938 aos 18 anos, vindo junto com seus pais, que já trabalhavam com vitrais.

Geuer fez dos vitrais obras de arteEm Campinas, seus trabalhos podem ser vistos em igrejas e estabelecimentos como Divino Salvador, Nossa Senhora de Fátima, Santa Isabel, Capela do Liceu, PUC Campinas ou Jockey Club, entre outros.

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